Franquias no Brasil, o que está acontecendo?


Com a palavra “franquia” tornando-se sinal de sucesso e de confiança, muitas empresas se lançaram nesse mercado não com a intenção de expandirem sua marca, mas somente com a intenção de captarem financiadores e remuneradores periódicos para seus bolsos.

Importante frisar que, no passado ou em se tratando de franquias sérias, o candidato à rede é minuciosamente investigado e avaliado, antes de firmarem a relação empresarial de parceria. Isso é crucial para que a rede mantenha seu padrão e renome, afinal a marca é o bem intangível mais preciosos de uma empresa.

Em outras palavras, ter o recurso financeiro necessário a participar de uma rede de franquias nunca foi o principal requisito dessas marcas sérias e perenes que vemos no mercado. Mas isso não é verdade quando falamos dos aproveitadores da boa fama do sistema de franquias.

Ao contrário, para aqueles que querem apenas arrecadar dinheiro com taxas de franquias e royalties, sem se preocupar com o sucesso dos seus parceiros, o dinheiro é o único requisito.

Dentre os mais de 300 contratos analisados previamente a essa obra, foram inúmeras as vezes que foi constatado a assinatura de um contrato de franquia sem que houvesse a determinação do território da unidade.

Ou seja, a intenção do franqueador era tão somente arrecadar a taxa de franquia, que se esqueceu da importância do território na composição do objeto. Diziam que “a cidade era o de menos importante”. Mentira.

Também é comum vermos franquias que nunca sequer tiveram um estabelecimento congênere.

Existe uma marca de hamburgueria cuja fundação fora simplesmente triste. Em um evento caseiro, um “formatador” de franquias experimentou um hamburguer do anfitrião e o “convenceu” que tratava-se do melhor hamburguer da região e que aquilo deveria ser “franqueado”.

Sem estudo prévio e sem pilotagem de uma hamburgueria, mas apenas com a receita de um hamburguer, iniciaram uma marca de franquias.

Com a força agressiva de venda de franquias e a confiança da palavra “franquia”, conquistada ao longo dos anos, venderam mais de 25 unidades em menos de um ano. Infelizmente, não é possível identificar a marca nesta obra pois não há autorização legal para tanto.

Menos de 2 anos depois, os 25 franqueados que haviam depositado todas as suas economias naqueles estabelecimentos estavam falidos ou em tremenda dificuldade financeira.

Isso porque fazer hamburguer gostoso está muito distante de conhecer o mercado e a gestão de um restaurante.

Em outra situação, uma franquia de mão de obra foi lançada e novamente sua marca deve ser poupada nesta obra, mesmo não estando mais no mercado.

Tratava-se de uma franquia de reformas, pinturas, manutenção elétrica e etc.

Em um prazo de 5 anos foram de zero unidades a centenas de unidades, e de centenas de unidades de volta a zero unidades.

Todos os seus franqueados saíram da rede e muitos com prejuízos incalculáveis.

Em contrapartida, redes que merecem ser mencionadas, como O Boticário por exemplo, mantém a satisfação de seus franqueados apesar dos inúmeros problemas que a relação empresarial traz a ambas as partes, tanto ao franqueador quanto aos franqueados.

Essa redes boas e mais próximas à natureza empresaria pura e étnica do “franchising”, são difíceis de entrar, pois os atuais franqueados querem dominar o território de atuação e têm, obviamente, preferência.

Ao final desse breve raciocínio, pode-se afirmar que a fama e confiança conquistada pelo modelo de franquias abriu, especialmente no Brasil, uma brecha para oportunistas se aproveitarem e enriquecerem, em detrimento dos franqueados, investidores.

Esses usurpadores da credibilidade desse modelo de negócios subvertem de tal forma a relação contratual, que às vezes transformam os seus franqueados em cliente final, dependendo exclusivamente deles, independentemente destes terem receita e clientela ou não, para contrair riquezas.

Lucas Costa - Advogado, professor, consultor e franqueado.
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