O advogado poste e o advogado lanterna.

Wilton Osório Meira Costa foi um grande promotor, advogado e professor de direito, além de meu pai. Em todas as funções exercidas em sua carreira jurídica, esbanjou transparência, ética e esmero.

Foram tantas as lições, enquanto trabalhei com ele no escritório de advocacia, que seria injusto nomear a principal ou “a” mais importante.


Mas, dentre todas elas, uma se tornou um princípio norteador da minha vida profissional, do exercício da minha advocacia.


Um dia, enquanto conversávamos sobre direito e a conduta dos profissionais dessa área, ele me explicou a diferença entre o advogado poste e o advogado lanterna. Assim ele me ensinou:

O advogado poste ilumina seus próprios pés.”


Nesse momento ele já não precisava mais continuar a explanação porque eu já havia entendido o que ele queria dizer, mas fez questão de finalizar seu raciocínio para ter certeza de que eu, ainda jovem, compreenderia a profundidade e a importância do que ele estava me dizendo.


Transpondo seu ensinamento nas minhas palavras, já que o tempo me roubou da memória a exatidão daquele momento tão valioso, ele seguiu com a seguinte linha de raciocínio:


“O advogado poste, que ilumina seus próprios pés, pensa somente no resultado dele próprio, financeiro ou até mesmo prático como a defesa de uma tese jurídica que não trará nenhum benefício ao cliente, mas apenas dores de cabeça em razão de um processo judicial longo e penoso.


Já o advogado lanterna ilumina o caminho do próximo, ele ilumina os pés do cliente. Esse é o tipo de profissional que nós devemos ser”.


Hoje, 18 anos depois, eu resgato essa lição e faço minhas próprias observações. Uma delas é que o mundo está cada vez mais “poste”, mais egoísta. Servir ao próximo deixou de ser o comum, mesmo quando a pessoa é paga para servir, como no caso do advogado.


Quantas vezes não ouvimos histórias do advogado “vendido” pelos seus honorários ? Ou até mesmo do médico que operou sem que houvesse a necessidades de cirurgia?


Esses são pequenos exemplos de profissionais postes que colocam os seus interesses, que muitas vezes se resumem a dinheiro, exclusivamente, acima de tudo e todos.


Outra observação prática que tenho é que as pessoas postes tendem a ficarem sozinhas, quer na vida pessoal ou quer na vida profissional, porque é difícil manter-se próximo daqueles que só iluminam e esclarecem o próprio umbigo.


Ser uma lanterna na vida das pessoas, iluminar, esclarecer ou facilitar o caminho alheio, não é uma tarefa fácil. É muito mais fácil fazer o divórcio do casal que se ama, mas que não se entende, do que ajudar seu cliente ou sua cliente a compreender seu cônjuge. Além disso, o divórcio também é mais lucrativo para o advogado “poste”.


Meu pai era advogado quando me ensinou que ser advogado lanterna era um ministério divino, era a forma de ser “sal” e “luz” para o mundo. E por isso, somente por isso, usou a figura do advogado como exemplo.

Porque ser “lanterna” ou ser “poste” são conceitos que podem ser aplicados a todas as profissões: médicos, engenheiros, arquitetos, farmacêuticos, faxineiros, pintores, pedreiros, mecânicos etc.


Ser luz e sal, na vida das pessoas, na verdade, sequer depende de uma profissão. Qualquer pessoa pode decidir ser uma lanterna na vida do próximo. E trata-se, apenas, de uma decisão. A decisão de agir, de iluminar e de clarear os passos alheios em seus atos profissionais e pessoais.


Espero que essa reflexão também te ilumine.




Lucas Costa - Advogado, professor, consultor e franqueado.
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